segunda-feira, 30 de outubro de 2017

CARTA À AMANTE


Por Bia Pupin 

Quando penso nisso, acredito ser brutalmente imbecil.

Gostaria de saber se nem por um segundo lhe passou pela cabeça a ideia de que nenhuma mulher teria cedido ao charme de um cara jovem e interessante, e deixado embriagar-se da desigualdade que há entre os dois, a não ser na tentativa de alcançar alguma virilidade perdida. E isso não é apenas uma interrogação.

O destino o jogou nos braços de uma ninfomaníaca que vê nele a ocasião de reencontrar sua juventude perdida? Para ele tudo não passa de uma entrega maternal. Ele a comove provoca-lhe uma espécie de pena? Que tola paixão a sua! Quanta inadequação e frustração.

Seu nome, nome de mãe, de pronúncia leve, macia, a mim indizível, tem tons de azul, rosa, mas tudo nele é pastel. Acredita que uma paixão violenta lhes abateu? A tentativa de um milagre...

O que deseja dele? Um rompimento, uma fuga, a busca do “amor verdadeiro”, ora só não deixe que ele perceba que suas conquistas são objeto de ornamento para seu hedonismo, consolo, de uma mulher frustrada e não uma paixão. Não deixe que ele saiba quem é. Que seus cuidados em doses magistrais querem um prêmio de consolação (ele- quanto romance!), afinal ficará bem mais fácil, com tudo aquilo que já sabe com seus 25 anos a mais de bagagem em sua eminente e necessária investida.

Não quero nenhuma resposta sua. Quero seu silêncio em absoluto.

Renata

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