Uma realidade social ganha
proeminência no centro de São Paulo, as ocupações por moradia; cada vez mais
percebe-se que tal realidade compõe o contexto acirrado do processo urbano no
centro da capital, a Luz e entorno; região rica em diversos aspectos, o que a
torna centro de disputas há décadas por diversas forças: políticas, econômicas
e sociais.
Eis o drama das ocupações, a
dramatização da vida urbana; assim exposto, o desafio é apreender a partir da
realidade comunicada por uma paisagem de contradições onde se (con) vive lado a
lado imóveis vazios ocupados por famílias sem teto, corpos que carregam as
marcas da violência urbana.
É notório observar na morfologia
da Luz, uma conflitualidade sobre a produção do espaço; um palimpsesto, aonde a
paisagem revela não apenas as marcas do tempo, mas o acúmulo desigual da
produção social. A Luz é fragmento, materialidade e conteúdo dos processos
sociais sob diferentes interesses e ritmos, com disputas, por vezes violentas...sob
o repertório da lei e da força para o uso planejado do espaço e das vidas.
O edifício, hoje Ocupação Maúa,
foi durante as décadas de 1950 e 1960 o hotel Santos Dumont; cujo uso atendia
outro momento de constituição da centralidade dos Campos Elíseos nos chamados
tempos áureos; contudo, foi abandonado paulatinamente pelos proprietários e
poder público, passando a deteriorar-se nas décadas seguintes. Diante dessa
transformação socioespacial do centro – espaço da elite paulista, do poder
político e econômico - as realidades de inúmeras pessoas e o imperativo do
habitar, tornou-se condição inevitável para ação da ocupação.
Mauá, corpo edificado desde 2007,
no centro de uma centralidade. Dos corpos, topia absoluta, eis a geografia em
movimento; histórias e trajetórias. Espacialização, presença e RESISTÊNCIA.
Damião Candido Medeiros Filho



























































