segunda-feira, 30 de outubro de 2017

FLORES PARA MEU PAI

Por Bia Pupin

Renata ligou quatro e dez da madrugada delirante, para a tia, a sua confessora. Precisava saber se estava lá.
-Havia levado as flores? Em prantos perguntava.
Sempre teve essa dúvida, mas só depois do sonho é que ficou claro, de que não se lembrava.

-Eu me lembro, do cheiro das flores e das velas, me lembro do choro também. E que cantei a música que ele me ensinou criança, mas não me lembro do resto, nem do rosto, não me lembro de quase nada.

-Eu estava lá? Por que não me lembro?
Ela sabia que não se lembrava, mas mesmo assim não conseguia se lembrar.
Foi quase estrangulada pelo sonho. A tia sobressaltada tentava acalmá-la e repetia:
-Sim você estava lá. E levou as flores para seu pai.
E Renata repetia:
-Eu não estava lá. Por que não acompanhei o cortejo?
-Foi difícil, mas lá você estava.
Nessa noite elas perderam o sono.

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