domingo, 30 de junho de 2019

Mauá, topia absoluta, corpos edificados



Uma realidade social ganha proeminência no centro de São Paulo, as ocupações por moradia; cada vez mais percebe-se que tal realidade compõe o contexto acirrado do processo urbano no centro da capital, a Luz e entorno; região rica em diversos aspectos, o que a torna centro de disputas há décadas por diversas forças: políticas, econômicas e sociais.

Eis o drama das ocupações, a dramatização da vida urbana; assim exposto, o desafio é apreender a partir da realidade comunicada por uma paisagem de contradições onde se (con) vive lado a lado imóveis vazios ocupados por famílias sem teto, corpos que carregam as marcas da violência urbana.

É notório observar na morfologia da Luz, uma conflitualidade sobre a produção do espaço; um palimpsesto, aonde a paisagem revela não apenas as marcas do tempo, mas o acúmulo desigual da produção social. A Luz é fragmento, materialidade e conteúdo dos processos sociais sob diferentes interesses e ritmos, com disputas, por vezes violentas...sob o repertório da lei e da força para o uso planejado do espaço e das vidas.

O edifício, hoje Ocupação Maúa, foi durante as décadas de 1950 e 1960 o hotel Santos Dumont; cujo uso atendia outro momento de constituição da centralidade dos Campos Elíseos nos chamados tempos áureos; contudo, foi abandonado paulatinamente pelos proprietários e poder público, passando a deteriorar-se nas décadas seguintes. Diante dessa transformação socioespacial do centro – espaço da elite paulista, do poder político e econômico - as realidades de inúmeras pessoas e o imperativo do habitar, tornou-se condição inevitável para ação da ocupação.

Mauá, corpo edificado desde 2007, no centro de uma centralidade. Dos corpos, topia absoluta, eis a geografia em movimento; histórias e trajetórias. Espacialização, presença e RESISTÊNCIA.
 Damião Candido Medeiros Filho

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