Ser Mulher
Por Beatriz Antonieto
Sabe-se que a realidade feminina tem se modificado nas últimas décadas. Se antes essa identidade consistia em submissão, obediência e padrões de comportamento baseados na feminilidade, hoje, com o empoderamento feminino, as mulheres se sentem livres das amarras que antes lhes eram colocadas e podem fazer escolhas. No entanto, há uma longa jornada pela frente.
Os padrões estéticos, criados pelo mercado machista que continuam a existir, explorando as inseguranças, concebidas pela criação diferenciada para meninas, com o objetivo de gerar lucro.
Contrastes entre as próprias mulheres podem ser notados. Com o estereótipo de “forte” e mais resistente à dor”, originário do período escravocrata, a cor da pele passa a interferir até em atendimentos hospitalares, com mulheres negras ocupando o topo dos dados de morte por violência obstétrica (termo vetado pelo Ministério da Saúde do governo Bolsonaro por ter sido julgado “inadequado”). Mulheres indígenas estão começando a ser notadas, ganhando representatividade dentro das universidades mesmo sendo discriminadas. Enquanto isso, as transexuais e as travestis ainda lutam e morrem todos os dias para serem reconhecidas como mulheres.
Como buscar um avanço igualitário se cada grupo caminha em uma velocidade diferente?
Cada uma de nós é assassinada a cada duas horas no Brasil. Ser mulher é andar na rua com medo de ser estuprada, saber que podemos viver inúmeros abusos até dentro de nossas casas. É estar vulnerável ao meio externo e resistir à violência. É morrer e ter nossos sonhos nas mãos do machismo, mas renascer para destruí-lo.
Agora, temos liberdade para escolher se morremos caladas ou em uma árdua batalha para garantir igualdade para as próximas gerações
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